Conheça os sinais do lipedema e as melhores práticas para controle e tratamento

Lipedema é uma doença crônica que causa acúmulo de gordura e dor nas pernas. Saiba como identificar, diferenciar e tratar com eficácia

Você já ouviu falar do lipedema? Essa condição misteriosa é, na verdade, uma doença crônica que afeta os vasos sanguíneos, marcada por um acúmulo desordenado de tecido adiposo, especialmente nas pernas e, por vezes, nos braços. Além da presença desse volume de gordura, as áreas afetadas também costumam apresentar desconforto e uma sensibilidade maior ao toque.

Essa condição foi identificada há quase um século, quando profissionais de saúde notaram que algumas pacientes possuíam uma distribuição de gordura assimétrica no corpo, com uma quantidade bem maior da cintura para baixo. Além disso, essa característica vinha acompanhada de muita dor, sensibilidade exacerbada, facilidade para surgirem hematomas, desconforto nas articulações, inchaço e varizes. Tudo isso foi então agrupado sob o nome de lipedema. No entanto, até bem recentemente, houve poucos estudos aprofundados sobre o tema, o que contribuiu para que muitos médicos ainda não soubessem reconhecer as particularidades do lipedema.

Lipedema vs. Linfedema: entendendo a principal diferença

É fundamental entender que o lipedema não é o mesmo que linfedema, embora os nomes soem parecidos e ambos possam causar inchaço. A principal distinção reside no tipo de acúmulo: no lipedema, estamos falando de uma concentração irregular de tecido adiposo no corpo. Já o linfedema é uma situação onde há um acúmulo anômalo de líquido linfático nos membros, como pernas e braços, resultando em um inchaço persistente.

Uma característica importante é que, no linfedema, a perna inteira pode ser afetada, incluindo o pé, e muitas vezes de forma unilateral. No lipedema, por outro lado, a gordura concentrada não atinge os pés. Para ajudar a esclarecer qual condição está presente, a bioimpedância, um exame que avalia a composição corporal, é uma ferramenta muito útil, diferenciando o lipedema do linfedema.

Os sinais do lipedema: fique de olho!

Como saber se o lipedema pode estar se manifestando? Os sinais são variados e podem incluir:

  • Dor e incômodo localizado: sensação de mal-estar constante ou pontual nas regiões afetadas.
  • Sensibilidade exacerbada: toque leve ou a pressão nas pernas e braços pode ser mais incômodo do que o normal.
  • Pernas cansadas: sensação de cansaço ou peso persistente, especialmente nos membros inferiores, como uma “pressão” constante.
  • Manchas roxas com facilidade: hematomas podem surgir espontaneamente, sem uma causa aparente, devido à fragilidade dos pequenos vasos sanguíneos na região.
  • Dificuldade de movimento: presença de depósitos de gordura nas coxas e pernas pode dificultar os movimentos habituais dos membros, afetando até a forma de caminhar.
  • Gordura “teimosa”: um dos sinais mais marcantes é quando a gordura em certas áreas não diminui, mesmo com dietas e exercícios. Você pode emagrecer no restante do corpo, mas os locais com lipedema permanecem com acúmulo de gordura.
  • Dificuldade para ganhar músculos: pessoas com lipedema podem ter uma capacidade reduzida de construir massa muscular – cerca de 30% a menos do que quem não tem a condição ou tem obesidade. Isso pode levar a dor nas articulações, já que a musculatura não as protege adequadamente.
  • Pele com flacidez: a pele nas áreas afetadas também pode apresentar um aspecto de flacidez.
  • Edemas (inchaços): esse é outro sintoma que pode surgir nas pernas e outras regiões.

É importante notar que, para muitas pacientes, o desconforto estético é uma das principais queixas, o que pode impactar a escolha de vestimentas e até gerar transtornos psicológicos, embora pesquisas sugiram que as alterações emocionais possam preceder e agravar o quadro de lipedema. A doença evolui em estágios, começando na região pélvica e se estendendo para quadris, nádegas, coxas e pernas, podendo até afetar o sistema linfático e venoso.

Como o diagnóstico é feito?

A identificação do lipedema passa, primeiramente, por uma avaliação física atenta e pela análise dos sinais relatados pelo paciente. No entanto, existem outros exames que podem ser solicitados para confirmar a presença da condição e, principalmente, para diferenciá-la de outras doenças que afetam os vasos ou o metabolismo.

Além da já mencionada bioimpedância, que avalia a composição corporal para distinguir o lipedema do linfedema, outros recursos valiosos incluem:

  • Densitometria corporal: este exame também mede a quantidade de massa magra, gordura e densidade óssea, ajudando a entender se o caso é apenas lipedema, obesidade, ou uma combinação de ambos.
  • Ultrassom: essencial para descartar problemas venosos, como varizes, trombose e outras causas de inchaço nos membros. Ele também pode mostrar a inflamação presente no tecido adiposo, uma particularidade do lipedema.
  • Algometria: um teste que mede a sensibilidade à dor, auxiliando na identificação de um dos sintomas chave da condição.
  • Termografia: avalia a temperatura da pele, revelando possíveis focos de inflamação nas áreas afetadas.

Caminhos para o bem-estar: o tratamento do lipedema

Embora o lipedema não tenha uma cura definitiva, o objetivo do tratamento é aliviar os sintomas e melhorar significativamente a qualidade de vida das pessoas com a doença. O plano de cuidados é dividido em duas grandes áreas: o manejo clínico e, em alguns casos, o procedimento cirúrgico.

acúmulo de gordura nas pernas
A causa exata do lipedema ainda é desconhecida, mas acredita-se que a genética e os hormônios desempenhem um papel importante (Foto: Freepik)

Tratamento clínico: o primeiro passo para todos

Todo mundo que tem lipedema vai precisar de um plano de tratamento clínico. Ele envolve uma série de mudanças e hábitos que podem fazer uma grande diferença:

  • Alimentação consciente: adoção de uma dieta que ajude a reduzir a inflamação no corpo, com foco em alimentos ricos em fibras e proteínas, evitando excessos de laticínios e carboidratos.
  • Movimento personalizado: a prática de exercícios físicos é fundamental, com atividades específicas para as características de cada paciente, incluindo tanto exercícios aeróbicos quanto de força para o fortalecimento muscular.
  • Drenagem linfática: essa técnica pode ser indicada para ajudar na movimentação dos líquidos e no alívio do inchaço.
  • Meias de compressão: o uso de meias elásticas de compressão, que possuem um tecido mais robusto e menos elástico (malha plana), é frequentemente recomendado para se adaptar melhor à forma do membro afetado.
  • Apoio emocional: o acompanhamento psicológico é crucial para ajudar a lidar com a dieta e a aceitação do corpo, principalmente quando as limitações não afetam a rotina diária.

Quando a cirurgia entra em cena

A opção cirúrgica é considerada para quem não obteve a resposta desejada com o tratamento clínico. Nesses casos, a lipoaspiração é o procedimento indicado. Ela consiste na remoção do excesso de tecido adiposo, o que não só ajuda a diminuir a dor, mas também aprimora a capacidade de movimentação.

É importante ressaltar que os profissionais que normalmente conduzem o tratamento são angiologistas ou cirurgiões vasculares, mas o cuidado pode ser multidisciplinar, envolvendo também nutricionistas e fisioterapeutas para um apoio completo. Apesar de sua longa história, o lipedema ainda é uma condição subdiagnosticada, o que reforça a necessidade de um olhar mais atento e, acima de tudo, de uma abordagem empática com as pacientes, que muitas vezes enfrentam uma dor emocional significativa diante de uma doença que, embora não tenha cura, pode ser muito bem controlada.

Fontes: CNN Brasil; Portal Drauzio Varella

Últimos posts

CATEGORIAS

INSTAGRAM