A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) publicou, na última quarta-feira, 2 de abril de 2025, uma resolução que proíbe em todo o território nacional as lâmpadas fluorescentes de alta potência utilizadas em câmaras de bronzeamento artificial. A medida visa coibir definitivamente a utilização desses equipamentos, que já eram proibidos no Brasil desde 2009. A nova decisão impede não apenas o uso, mas também o armazenamento, a comercialização, a distribuição, a fabricação, a importação e a propaganda desse tipo de lâmpada.
O histórico da proibição e o alerta da ciência
A proibição das câmaras de bronzeamento artificial no Brasil ocorreu em 2009, por meio da RDC nº 56, de 9 de novembro daquele ano. Essa decisão foi baseada na classificação da Agência Internacional de Pesquisa sobre Câncer (IARC), ligada à Organização Mundial da Saúde (OMS), que associou o uso desses equipamentos a um risco aumentado de desenvolvimento de câncer. A IARC concluiu que o uso de câmaras de bronzeamento artificial é carcinogênico para humanos.
Apesar da proibição em vigor, a Anvisa constatou que as câmaras de bronzeamento artificial continuavam a ser utilizadas de forma irregular no país. A nova resolução, portanto, reforça a proibição ao focar especificamente nas lâmpadas essenciais para o funcionamento desses equipamentos, dificultando a manutenção e a operação das câmaras. A medida contou com o apoio integral da Sociedade Brasileira de Dermatologia e do Instituto Nacional de Câncer (Inca).
Os perigos das câmaras de bronzeamento artificial para a saúde
A principal preocupação em relação ao uso de câmaras de bronzeamento artificial se dá pelo aumento do risco de câncer de pele. As lâmpadas fluorescentes de alta potência emitem raios ultravioleta (UV) que conseguem penetrar a pele e causar danos ao DNA das células. Embora esses danos possam não ser imediatamente perceptíveis, eles podem levar a complicações graves anos depois.
Estudos de revisão e meta-análise publicados em revistas médicas demonstraram um aumento de 75% no risco de melanoma (o tipo mais agressivo de câncer de pele, com potencial de levar à morte) em pacientes que utilizaram esses equipamentos antes dos 35 anos de idade. As pesquisas também indicaram um aumento significativo no desenvolvimento de outros tipos de câncer de pele, como o carcinoma de células escamosas (58%) e o carcinoma basocelular (24%).
Além do câncer de pele, o comunicado da Anvisa lista pelo menos doze outros danos associados ao uso de câmaras de bronzeamento artificial:

- Envelhecimento precoce da pele
- Queimaduras
- Ferimentos cutâneos
- Cicatrizes
- Rugas
- Perda de elasticidade da pele
- Lesões oculares, como fotoqueratite
- Inflamação da córnea e da íris
- Fotoconjuntivite
- Catarata precoce
- Pterígio (crescimento anormal do tecido da conjuntiva sobre a córnea)
- Carcinoma epidérmico da conjuntiva
Alternativas seguras para obter um bronzeado
Para quem deseja obter uma cor mais bronzeada na pele sem se expor aos riscos das câmaras de bronzeamento artificial, existem alternativas mais seguras, como o uso de autobronzeadores ou o bronzeamento a jato. Segundo a dermatologista Viviane Scarpa da Costa Neves Nogueira, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia, regional São Paulo, essas opções promovem um bronzeamento temporário sem aumentar o risco de desenvolvimento de câncer de pele.
Câncer de pele: tipos, riscos e prevenção
O câncer de pele é o tipo de alteração cancerígena mais incidente no Brasil, de acordo com o Inca. A doença pode surgir em qualquer parte do corpo e, quando identificada precocemente, apresenta boas chances de cura. A exposição solar exagerada e desprotegida ao longo da vida, bem como os episódios de queimadura solar, são os principais fatores de risco para o câncer de pele.
Existem diferentes tipos de câncer de pele, sendo os mais comuns o melanoma e o não-melanoma. Os casos de não-melanoma são mais frequentes e geralmente apresentam altos percentuais de cura, sendo mais comuns em pessoas com mais de 40 anos e de pele clara. O melanoma, embora menos comum, é mais grave devido à sua capacidade de se espalhar para outras partes do corpo.
Alguns perfis são mais propensos ao desenvolvimento de câncer de pele, como pessoas com pele, cabelos e olhos claros, histórico familiar da doença, muitas pintas no corpo, e indivíduos imunossuprimidos ou transplantados. É importante estar atento a sinais como assimetria, bordas irregulares, múltiplas cores, diâmetro maior que seis milímetros ou mudanças no tamanho de pintas e sinais. Caroços, manchas ou feridas descoloridas que não cicatrizam e continuam a crescer também podem ser sinais de não-melanoma.
A prevenção do câncer de pele inclui medidas como evitar a exposição excessiva ao sol, utilizar óculos de sol com proteção UV, sombrinhas, guarda-sol e chapéus de abas largas, além de usar roupas que protegem o corpo. O uso diário de filtro solar com fator de proteção solar (FPS) 15 ou mais é fundamental.
O diagnóstico do câncer de pele é realizado por um dermatologista por meio de exame clínico, podendo ser complementado por dermatoscopia e biópsia. O tratamento varia de acordo com o tipo e o estágio do câncer, podendo incluir cirurgia, radioterapia e quimioterapia.
A decisão da Anvisa de proibir as lâmpadas para câmaras de bronzeamento artificial representa um importante avanço na proteção da saúde pública brasileira, reforçando a necessidade de conscientização sobre os riscos associados a essa prática e incentivando a adoção de alternativas seguras.
Fontes: Metrópoles; Veja Saúde

